Últimas Publicações / Museu Esportivo promove exposição no Teatro Marista no dia do lançamento do filme "Paixão Esquecida - A história do futebol profissional de Maringá"

Texto de Antonio Roberto de Paula, diretor do Museu Esportivo de Maringá: Uma noite maravilhosa no Teatro Marista que ficará marcada para sempre na minha vida e, acredito, na vida da minha esposa Simone e de amigos que lá estiveram. No dia 30 de agosto de 2023, o Museu Esportivo de Maringá promoveu a “Exposição Lembranças do Futebol Profissional de Maringá” no lançamento do filme do amigo Miguel Fernando, “Paixão Esquecida – A história do futebol profissional de Maringá”.

Saímos do teatro por volta das 22 horas, felizes, animados e, por que não dizer, aliviados.

Deu tudo certo, graças a Deus. Contamos com o apoio de amigos para a realização da mostra, que é só uma parte do nosso acervo. Contamos com o apoio da GTFoods, da TCCC e da Dispec do Brasil, empresas apoiadoras do nosso projeto de resgate e preservação da memória, e de amigos associados do Clube do MEM (se você quiser informações sobre o Clube, entre em contato).

Ver as pessoas fazendo fotos e vídeos na exposição, observando as três centenas de fotografias, as camisas e as faixas, é gratificante. Conhecer pessoas, rever amigos, abraçar e ser abraçado, receber palavras de carinho, de incentivo, é mais gratificante ainda. Os elogios pelo trabalho que realizamos a gente recolhe, guarda na alma para fortalecer e, secretamente, dá um sorriso de satisfação sem se empolgar em demasia e sem considerar que isto seja comum, normal. Não, não é, o reconhecimento é salutar, necessário, providencial. É combustível para seguir. A caravana tem que passar.  

Quando realizamos eventos, seja do Museu Esportivo, seja das minhas publicações e documentários, neste caso, há mais de vinte anos, agradeço primeiramente a Deus e depois corro para agradecer às pessoas. Este do Marista, o agradecimento vai para a direção do Teatro e para os funcionários. O Fernando Fischer e todo o pessoal foram de uma fidalguia ímpar, de um atendimento exemplar e de uma participação como se a exposição fosse da própria instituição, que no final das contas foi mesmo do MEM e do Marista.

Agradecimento aos amigos do Museu Esportivo que nos ajudaram a transportar o material (manequins, biombos e peças), aos doadores de relíquias que tornam o acervo do MEM histórico e atrativo. Já temos em torno de 400 doadores de peças (camisas, faixas, flâmulas, canecas, copos, xícaras, pratos, chaveiros, troféus, medalhas, bonés, bolas, fotografias, documentos e farto material impresso).

Agradecimento ao Miguel Fernando, que possibilitou que participássemos do seu filme e, por extensão, o Museu Esportivo. Eu e o Tilinho fizemos o trabalho de pesquisa e fomos entrevistados neste documentário que entra na história de Maringá como o audiovisual mais completo sobre o futebol profissional da nossa cidade.

Agradecimento ao prefeito Ulisses Maia, que sempre foi um divulgador do Museu Esportivo, que esteve na exposição e assistiu ao documentário. A Prefeitura de Maringá, desde que iniciamos com o MEM, nos dá o apoio institucional, inclusive, no seu site há informações detalhadas sobre o nosso espaço da memória esportiva.

Agradecimento a todos os que lá estiveram: amigos de longa data, amigos recentes, amigos da internet que passaram a ser de carne e osso, gente que não conhecia e que espero rever e ser amigo, pioneiros...

No cerimonial que antecedeu a exibição do filme, falei no palco. Não muito tempo, nem lembro o que disse naqueles minutos. Falei da Simone, da minha mãe Rita que estava lá junto com meu irmão Augusto e minha cunhada Adriana, falei do Roderley, do Edgar Belisário, do Miguel Fernando, do Ulisses, do Trevizan (que levou revistas esportivas  antigas para o Museu naquela noite), do Maximila,  do Tilinho, de membros da equipe de produção do documentário, do Grillo, que estava lá e dos amigos com quem eu ia assistir aos jogos do Grêmio no Willie Davids, no estádio Brasil e Marialva e em outras cidades paranaenses, dos parceiros do Museu Esportivo.

Quis falar do Paulo César Duarte, mas ia esticar demais o discurso e o pessoal ia ficar impaciente. Então, agora, como tenho todo o tempo do mundo neste espaço, vou contar a história do Paulo César para resumir o significado do Museu Esportivo de Maringá na minha vida e na vida de muitas pessoas que gravitam em torno do nosso dia a dia.

Paulo César tem 64 anos, mora na região metropolitana de Porto Alegre, é gaúcho da cidade de Pinheiro Machado, era ponta direita e veio jogar no Grêmio de Esportes Maringá, vindo de Foz do Iguaçu, em 1979, onde ficou até 1982, quando foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre. Depois ele jogou no Athletico Paranaense, Náutico, Figueirense, retornou ao Grêmio Maringá e também atuou no MAC, o Maringá Atlético Clube.  

PC é amigo do nosso grupo de whatsapp do MEM, convidado anos atrás pelo parceiro Adilson Martins, o Cascão. Foi de Paulo César o segundo gol do Grêmio Maringá naquela histórica vitória sobre o Inter por 2 x 0, no estádio Willie Davids, pelo Campeonato Brasileiro, dia 14 de fevereiro de 1982. Gol marcado aos 33 minutos do segundo tempo e que fez parar para sempre o coração do grande escritor Altino Borba, que estava presente no estádio, e o de Lázaro Benedito Carnielli, outro apaixonado torcedor greminte.

Na manhã do dia 30, no dia da exposição, eu estava lá no Teatro Marista nos aprontos finais, verificando as fotos, as camisas, os biombos. Já passava do meio-dia. Quando estava saindo, olhei para o pôster do time do MAC, de 1989, campeão da Intermediária Paranaense, quadro doado pelo saudoso Apucarana, o Elnio Silveira Pohlman, criador e dono daquele time que se perdeu na poeira do tempo, mas ficou na história.

Ao lado do pôster estava a camisa do MAC num garboso manequim, a número 7 que o PC usou e doou para o Museu Esportivo junto com outra do Grêmio Maringá e fotografias. Fiz a foto com a camisa em primeiro plano e a foto do time do MAC ao fundo, fiz outras e mandei para o PC. Mandei também a mensagem: “Olha você aí, Paulo, na nossa história. Grande abraço, parceiro”. Saí emocionado da vazia sala de exposições, imaginando quantas histórias contidas naquelas fotos, camisas e faixas expostas. Naquele local histórico, na quadra entre a rua Marcelino Champagnat e a avenida Itororó, do antigo Ginásio Maringá, por onde passaram os primeiros maringaenses e o Marista continuando na sua saga até os dias de hoje. Mais tarde, o PC me respondeu, emocionado e agradecido.

Queria ter dito tudo isso ontem para as pessoas presentes no Teatro, mas fui impedido pelo tempo exíguo e pela minha incapacidade de transmitir com emoção, como o momento exigia, através da fala. Por isso, registro agora nas letras. A história do Paulo César é só mais uma entre tantas, diremos, mas é única, especial. É por isso que o Museu Esportivo de Maringá é especial.

Grato!

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