Crônicas / Vamos comemorar nossas conquistas

“Miramos tanto no estilo de vida americano que deveríamos copiar o carinho e o respeito que eles têm por seus ídolos”

 O basquete brasileiro comemorou, no último sábado, dez anos de uma de suas maiores conquistas: a medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis. O feito se tornou ainda mais grandioso porque o adversário da final eram os Estados Unidos, que nunca haviam perdido em casa em toda a história de 105 anos do esporte. O Brasil já conseguiu importantes títulos mundiais no basquete, mas este de Indianápolis se reveste de maior brilho, ainda que alguns queiram colocá-lo no mesmo patamar dos outros.

   Como o grande armador Helio Rubens. Ele quis diminuir a conquista denunciando uma grande dose de inveja por não ter participado daquele grupo vencedor. O feito de Oscar, Marcel, Israel, Guerrinha, Gerson, Cadum, entre outros, se iguala aos inesquecíveis da nossa história esportiva, como os três títulos conquistados pelo futebol e a medalha de ouro do vôlei em Barcelona. A televisão colaborou para a perenidade do Pan-Americano. As incríveis cestas de três pontos do Mão Santa, a magistral atuação de Marcel, os rebotes de Gerson e Israel e a surpreendente reação na segunda etapa, feita de técnica, consciência tática saída da prancheta do mestre Ary Vidal, e garra, muita garra, desnortearam os auto-suficientes adversários.

   Existe um péssimo costume no Brasil de esquecer ou pouco lembrar dos fatos heróicos e seus personagens. Perdõe-me, paciente leitor, pela frase surradíssima. Mas,  quando rememoramos somos taxados de saudosistas, como se aqueles que assim o fazem não se preocupassem com as glórias atuais. Miramos tanto no estilo de vida americano que deveríamos copiar o carinho e o respeito que eles têm por seus ídolos. Lá o tempo não apaga nem diminui o mérito. Pelo contrário, reforça e aumenta. Felizmente ainda cultuamos Pelé, Senna, Oscar. Mas é muito pouco.

   Somos carentes de ídolos porque não damos o devido valor a tantos outros, cujas conquistas ficaram esquecidas no tempo. Tornamos estas figuras descartáveis. Por isso todo aniversário do Pan de Indianápolis deve ser comemorado, do tri da Suécia, Chile e México, de Barcelona. Feliz do povo que pode ser saudosista.

(Do livro de Antonio Roberto de Paula, “Da Minha Janela”, de 2003. Textos publicados no Jornal do Povo a partir de 1997)

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E passaram os janeiros

Maringá das casas de madeira, com suas singelas varandas; suas cercas de balaústres separando terrenos e unindo vizinhos; longas conversas ao luar; habitantes iluminados e felizes, cúmplices de um tempo e de um lugar.  

      Maringá da poeira e do barro, das ruas de lâmpadas amarelas, de seus lentos veículos, geradores, limpa-pés, fogões de lenha, pomares e galinhas no terreiro. Maringá

Henri Jean Viana: "A gente adorava fazer aquilo"

Um dos responsáveis pelo noticiário local da Folha do Norte do Paraná, de 1970 a 1971, era o francês Henri Jean Viana, nascido em Paris, em 1947, e que havia chegado com a família em Maringá em meados da década de 1950.

O óbvio apelido de Francês foi colocado pelos seus colegas de rádio em 1964, quando entrou na Rádio Atalaia como auxiliar de escritório, cargo em que permaneceu pouco tempo. Passou

Chutes, pedaladas e outros

E abrindo a porta da velha edícula, abre o arquivo de memórias. Lágrimas serenas brotam. Ele não sabe identificá-las, não consegue sequer saber por que está chorando. É a liquidez da saudade gerada pela solidez de uma história, ele imagina. No cenário do passado, destacam-se velhas bolas de capotão, no canto, murchas, há tempos sem levar um chute.

      Então, enquanto

Menino da porta de casa 

Guga é como aquelas pessoas que parece fazer um tempão que a gente conhece, daquelas que não pedem licença e vão entrando. Por onde vai, Guga carrega a humildade, que aflora em todos os momentos. Ou melhor, não precisa aflorar, já está presente nas suas palavras, no seu sorriso, no seu jeito de ser. Ele é daqueles meninos que a gente fica torcendo para dar certo na vida, que adotamos sem nenhuma razão aparente, que pedimos

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