Últimas Publicações / Antonio Paulo Pucca

O radialista e apresentador Antônio Paulo Pucca faleceu no dia 6 de setembro de 2007, aos 65 anos. 

Nascido em Jaú – SP, em 27 de julho de 1942, Antônio Paulo Pucca  iniciou sua carreira radiofônica aos 14 anos de idade na Rádio Jauense, onde excerceu a profissão desde 1956.
Veio para Maringá em 1960 contratado pela Rádio Jornal de Maringá, tendo dirigido a Rádio Cultura de Maringá, Rádio Arapongas e Rádio Difusora de Maringá.
Anteriormente atuou na Rádio Andradina, Rádio Independência de São Bernardo do Campo, Rádio Difusora de Presidente Prudente, Rádio Presidente Prudente, Rádio Tupã, Rádio Clube de Londrina, Rádio Arapongas, Rádio Difusora de Arapongas, Rádio Difusora de Apucarana, Rádio Clube de Ourinhos, Rádio Cultura de Paranavai. Trabalhou como Redator, locutor, animador de auditório e locutor esportivo. Trabalhou também como titular de esportes da Televisão Coroados de Londrina. Como radialista esportivo lutou sempre pelo futebol da cidade tanto profissional quanto amador, colaborando também com o futebol de salão. Sócio-fundador do Clube de Caça e Pesca de Maringá e do Clube Olímpico. Foi produtor rural na cafeicultura e industrial com a Fábrica de Molas para Ônibus e Caminhões na avenida Mauá. Eleito vereador por duas gestões de 1978 até 1988 (prorrogou-se mandato por 2 anos) foi elevado a presidente da Câmara. Trabalhou também como chefe do Detran por mais de 10 anos. Chefe de gabinete do Dr. Said na sua última gestão. Foi apresentador e produtor do Programa Jornal da Manhã, na emissora Bandeirantes da rede J. Malucelli, por quase 20 anos. Faleceu em 6 de setembro de 2007, aos 65 anos. (Prefeitura de Maringá)

Angelo Rigon – 6 de setembro de 2007: ”Faleceu há pouco no Hospital Santa Rita o radialista e apresentador de televisão Antonio Paulo Pucca. Ele foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Maringá. Pucca, que também foi chefe da Ciretran e do gabinete do então prefeito Said Ferreira (segunda gestão), apresentava um telejornal na TV Maringá (Band). Radialista, foi um dos prncipas narradores esportivos que a cidade já teve, mantendo na Difusora AM uma famosa rivalidade com Ferrari Junior, que era da Cultura AM. Tinha 65 anos de idade e vinha de uma cirurgia cardíaca. Recentemente voltou a ser internado, com problemas renais e diverticulite, quadro agravado por infecção pulmonar.”

 

Pucca, paixão e polêmica

(Do livro de Antonio Roberto de Paula ´- “Diário dos Meus Domingos”, 2011 – textos publicados no jornal O Diário do Norte do Paraná de 2006 a 2009) Crônica publicada no dia 9 de setembro de 2007.

       O futebol romântico morreu bem antes de Pucca. Como ele sabia que as tardes de domingo não seriam memoráveis como aquelas das décadas de 60 e 70 e início dos anos 80, ele foi fazer outras coisas menos tensas e apaixonantes. Tornou-se apresentador de tevê num programa bem diferente das suas transmissões de futebol pela rádio Difusora.

     Ali, empunhando a latinha, soltando sua personalíssima e vibrante voz, ele ditou o ritmo do rádio esportivo de Maringá, tendo Ferrari Júnior como rival. Destilando polêmica, abria o microfone para os torcedores no seu programa diário. Por meio de seus comentários, Pucca ajudou a construir ídolos e também foi responsável por muitas dispensas de atletas, por demissões de técnicos e saídas de dirigentes.  

      A exigência da torcida maringaense e da região em sempre querer um time forte, realmente disputante de títulos se deve ao estilo Pucca de fazer rádio. Ele não admitia jogadores medianos, não tinha paciência com os meninos formados nas categorias de base, não perdoava erros, era intolerante com elenco, comissão técnica e diretoria. Isso fazia aumentar os desafetos. Mas em proporção bem maior crescia o número de ouvintes. Hoje parece exagero dizer, mas quem acompanhou aquele período sabe que era dado informalmente a Pucca o controle de qualidade do time de futebol de Maringá.  

      Mas havia um ingrediente bem maior do que a polêmica que fazia de Pucca um campeão de audiência. Era a emoção com que narrava um gol do Grêmio. O Willie Davids lotado delirava naquela narração que tinha um misto de alegria, heroísmo e autoridade. Éramos 20 mil pessoas ou mais exercitando a paixão alvinegra ao ver o nosso time derrotando o Londrina, o Atlético, o Coritiba e o Colorado. Com o ouvido colado ao radinho, ao som de Antonio Paulo Pucca.

      Além de apresentador de tevê, Pucca foi político e exerceu outras funções públicas, mas o que fica na memória do torcedor maringaense, daquele que acompanha futebol bem antes do advento das empresas esportivas, do sepultamento da paixão e da entrada do profissionalismo maquinal, é a sua voz forte, exigente e emocionada.

     Um gol de Didi, narrado por Pucca em 1977, quando o Grêmio venceu o Coritiba no Willie Davids por 2 a 1, na decisão do primeiro turno do Paranaense, sempre vem à mente quando me lembro do título daquele ano. Didi acertou um potente tiro de fora da área. Pucca narrou o lance e, estrategicamente, esperou a reação da torcida para gritar gol. Uma catarse. Uma inesquecível página do futebol da Cidade Canção. Obrigado, Pucca! Agora, descanse em paz!

Voltei do cemitério e mandei ver no computador. Lembro-me que o texto saiu rapidinho. O Pucca me conheceu quando comecei a trabalhar na imprensa como colunista esportivo, no Jornal do Povo. Ele sempre respeitou o meu trabalho, o que muito me ajudou. Sempre que o encontrava, era muito simpático comigo.  Eu, no entanto, conhecia o Pucca há muito mais tempo. Eu escrevia longas cartas para o seu programa de rádio, e ele as lia na íntegra; telefonava após os jogos do Grêmio Maringá e entrava ao vivo.  Pensei em “Pucca, paixão e polêmica” porque é o resumo de tudo o que ele foi para o futebol maringaense. Uma inesquecível página.

 

Antonio Roberto de Paula: “Radialista Antonio Paulo Pucca, narrador esportivo e campeão de audiência no programa esportivo do meio-dia que comandava nos anos 1960, 70 e 80. Bela voz, dicção e português perfeitos, crítico mordaz (às vezes exagerava, chegando a cometer injustiças) de dirigentes, técnicos e jogadores. Esteve à frente do microfone nas rádios Cultura e Difusora na época de ouro dos Grêmios da cidade. As linhas telefônicas sempre ocupadas por torcedores que falavam no ar, no pré-jogo e de segunda a sábado. Pucca comprou muitas brigas no futebol e na política. Foi vereador, presidente da Câmara e nos anos 1990 foi para a televisão apresentar programa diário na Band sem o brilho, a ousadia e a verve que o consagraram. Mas para o maringaense que viveu naqueles anos de glória do nosso futebol, fica na memória o radialista carismático, polêmico, passional, competente e talentoso. Pucca tem seu nome gravado na história com a marca indelével do amor a Maringá.”

 

João Carlos Silva: “Trabalhei com o Pucca, ao lado de Ananias Rodrigues, na extinta radio cultura, bons tempos, aprendi muito, com sua exigência e profissionalismo, uma referência para os narradores!!”

Leonardo Filho: “Tive o prazer de trabalhar com esse parceiro. Era sistemático, bravo, porém verdadeiro. Aprendi muita coisa com ele... saudades.”

Adenilson Barbosa da Silva: “Torcia tanto, quando narrando, perguntava ao plantão os resultados dos jogos do Campeonato Paranaense. Dizia ' todos ganhando, só o grêmio que não'. 

Jorge Júnior: “Certo dia de janeiro de 1989, Antonio Paulo Pucca me parou no corredor da Rádio Cultura! Eu apresentava o Programa “Grêmio em Destaque “, das 11h45 às 12h! Pucca falou: ‘Você quer trabalhar na Equipe de Ouro?’ Respondi: ‘ Lógico!’ ‘Então vai no meu escritório as 3 da tarde!’ Trabalhei 4 anos sendo 3 na TV Maringá, apresentando Jornal da Manhã e Esporte Total! Aprendi muito com ele e ensinei muita arbitragem para ele! Kkk

Amaro de Oliveira: “Paulo Pucca, saudades desse grande homem. Desde pequeno acompanhava o trabalho dele e jamais imaginaria que fosse trabalhar com ele um dia. Cheguei a falar isso pra ele. Ouvia ele no carrinho do pipoqueiro em frente a escola, todos os dias, quando ia comprar doce. Tive a honra de trabalhar com ele no Jornal da Manhã.”

Ione Martinuci: “Melhor narrador esportivo de todos os tempos de Maringá. Dava uma emoção tão forte quando ele narrava o gol do Grêmio de Maringá. Nossa, me arrepio. Saudades eternas.”

Paulo Roberto Crestani: “Grande parceiro e amigo. Tive a honra de ser seu repórter esportivo nos vitoriosos anos do futebol do Grêmio da década de 70!”

Glicério Pereira de Souza: “Grande amigo, conheceu sua querida esposa Nair em minha casa. Era realmente um apaixonado pelo GEM.”

Messias Mendes Almeida: “Além de grande narrador, Pucca era muito corajoso. Transmitia jogos em campos sem cabine e mesmo à beira do gramado, tacava o pau na torcida local,quando esta apelava, jogando paus e outras coisas nos adversários e também nos repórteres das rádios maringaenses. Eu estava como puxador de fios , junto com o Loreto, para uma transmissão de Cambará x Grêmio Esportivo Maringá quando o pau quebrou. A kombi da Rádio Cultura estava com os quatro pneus murchos quando vínhamos embora. A Polícia Militar teve que proteger a equipe, na tarefa de localizar um borracheiro e depois escoltar a gente até a saída da cidade. Mesmo com as ameaças, Pucca não amaciou: tacou o pau no time da casa e sua torcida, enquanto transmitia o jogo sentado em um banquinho à beira do gramado.”

Nelson Pedro Martins: “Nos anos 70 o rádio predominava na comunicação, e dois comunicadores celebrizaram os duelos na narração dos jogos do Grêmio, Ferrari Júnior e Antônio Paulo Pucca, carismáticos, arrastavam multidões ao estádio pela paixão que conduziam os seus microfones, e eles foram reconhecidos por isto com os torcedores. E sei que cenários como estes não voltarão a ocorrer, mas o futebol de Maringá tem história para voltar a brilhar!”

Wagner Crotti - Batalha Campal no Willie Davids -Corria o ano de 1978. Campeonato Brasileiro, mais precisamente no dia 26/04/78 em uma quarta feira à noite, se enfrentaram Grêmio Maringá x Coritiba. Como sempre o W.D. estava lotado, e vou tentar contar mais esta história verídica. Exatamente nesta noite, aconteceu a maior guerra campal dentro e fora do estádio; motivo, assaltaram o Grêmio de uma forma vergonhosa em pleno WD, no campeonato brasileiro daquele ano. O árbitro da partida o Sr. Orêncio Caputo segurou o GEM até onde deu; com isto foi inervando a torcida até aos 36 minutos do segundo tempo, quando atacante Mug do Coritiba faria o único gol do jogo, em um impedimento clamoroso, um impedimento indecente, e após os protestos dos jogadores, o gol fora validado. Os mais velhos vão se lembrar que a arquibancada da descoberta tinha os assentos de madeira, já volto com este pequeno detalhe. Nas rádios um ensandecido Paulo Pucca rasgava elogios nada nobres ao árbitro da partida e inflamava mais a revolta da torcida : - Renato (saudoso Renato Taylor Negrinho) o que está acontecendo aqui é um verdadeiro assalto, tem que mandar prender este “juiz de futebol”!!!, no que Renato Negrinho ponderava : estou preocupado com as consequências disto, a torcida está revoltada .Parecia que o Renato estava adivinhando o que viria a acontecer.

Nervos à flor da pele, e antes do termino da partida, (voltando às arquibancadas de madeira) a torcida começou a quebrar as ripas de madeira e jogar dentro do gramado , viraram verdadeiras estacas voadoras que se enfiavam no gramado, um verdadeiro perigo!!!

A revolta foi aumentando, o árbitro apita o final do jogo, aí a coisa começou a engrossar. O trio de arbitragem não conseguia chegar até o túnel de acesso por conta das “estacas voadoras”. A torcida estava ameaçando invadir o gramado quando o policiamento tratou de levar o trio de arbitragem, em meio ao “tiroteio de madeira”, para o túnel e daí para a sala de arbitragem!

O que se viu depois foi uma verdadeira batalha campal !!!, paus e pedras para tudo quanto era lado, dentro do estádio estava um caos, mas lá fora a coisa estava pior!!!

O policiamento acuado colocou o árbitro dentro do Camburão, por que o pessoal da extinta geral arrebentou a porta da sala de arbitragem e agrediu o árbitro. A torcida descobriu que o “juiz” estava dentro do Camburão e aí a coisa ficou feia, briga generalizada, abriram a porta da viatura e quase o Sr. Orêncio Caputto foi linchado!!!

O Renato Taylor Negrinho, sempre calmo, nesta ocasião estava possesso, e esbravejava na rádio Cultura:- este senhor como diz o nome dele é um verdadeiro puto!!!; e lá fora “o pau comendo” e era um corre corre só, a situação estava ficando fora do controle. O policiamento estava acuado, paus pedras voando em direção à viatura, barulho de vidros quebrados, enfim , quando se ouviram outras sirenes; era o corpo de bombeiros com dois caminhões pipa que foram acionados, e começaram a jogar jatos de água na multidão, e aí o corre corre aumentou!!!

Os caminhões pipa as vezes no verão jogavam água na torcida na descoberta para refrescar o povão; só que desta vez foram acionados para acabar com a confusão mesmo!!!

Os portões de entrada do WD, rampa da geral, calçadas, estava tudo uma água só.

Já era tarde da noite e só se ouvia sirenes e jatos d’agua no povão !!!

Acreditem, os Bombeiros resolveram o problema, e saiu todo mundo encharcado e na base do jato de água acabou a confusão!!!.

Eu era um garoto e confesso que me diverti muito com aquilo tudo, sem saber do risco que uma situação destas pode trazer!!!

Este episódio serviu para o início da remoção das arquibancadas de madeira do estádio.

Na manhã seguinte lembro da foto na capa do Jornal, o juiz antes, e depois da partida, cheio de hematomas; impensável nos dias de hoje!!!

Naquela época o WD tinha dono !!!

Bons tempos!!!

 

Wagner Crotti: Futebol história! Clássico do Café.Este já foi o maior Clássico do Interior do Brasil; em seu auge, superou até o Atletiba no estado do Paraná. Tínhamos os maiores públicos, as maiores rendas e os melhores estádios. São inúmeras histórias, mas vou relatar uma verdadeira saga, que foi a indicação do terceiro paranaense à disputar o Campeonato Brasileiro de 1976. Corria o ano de 1976, nos bastidores do futebol era dado como certo a indicação de mais um representante do Paraná no Campeonato Brasileiro, que tinha Coritiba (grande equipe na época) e o Atlético, que mandava os seus jogos no Belford Duarte (hoje Couto Pereira), pois o Joaquim Américo era horrível e acanhado. Com a confirmação da terceira vaga, adivinhem o que aconteceu? As cidades de Maringá e Londrina travaram um verdadeiro duelo pela tão sonhada vaga! O problema de Londrina era que o Estádio do Café (em construção desde 1974) estava com as obras paradas, e com o tempo escasso, talvez não seria possível concluir a obra, favorecendo assim os maringaenses, que já estavam finalizando a tão sonhada reforma do Willie Davids, sendo um palco perfeito para o Grêmio disputar o tão sonhado campeonato! Quem conhece bem a rivalidade entre as cidades de Maringá e Londrina, pode imaginar a “guerra” que foram aqueles dias!

Radialistas das duas cidades brigando ao vivo (no ar) nas emissoras, defendendo suas posições, quase indo as vias de fato (notadamente Fiori Luiz e Antonio Paulo Pucca). Fiori mandava Pucca tomar banho, no que Pucca revidava: - ele copiou e emendou o nome do Fiori Gigliotti e do Silvio Luis (famosos locutores paulistas) - o nome dele é Nelson Malaguida!!! As duas rádios podiam serem captadas nas duas cidades e a “espionagem” corria solta.

Com o passar dos dias a briga adentra aos políticos das cidades, chega ao governo do Estado, batendo nas portas da CBD. Este era o assunto dominante - quem vai para o Nacional? A prefeitura de Londrina conseguiu um bom interlocutor com a CBD, que fez uma “ponte” com o Gerson (jogador da Copa de 70), era meio caminho andado, mas faltava o Estádio!

Inacreditavelmente em 100 dias, construíram o Estádio do Café!!!, dia e noite, foi inacreditável, mas o Estádio do Café estava pronto. A CBD então confirmaria o Londrina como o representante no Nacional, para a tristeza dos maringaenses. Mas isto não ficaria barato.

Na semana da confirmação do Londrina no Nacional, estava marcado o Clássico do Café pelo Paranaense, justamente em Maringá. Não foi um jogo, foi uma batalha campal!, era questão de honra derrotar o Londrina.

O Grêmio estava vencendo por 2 x 1 até os 44 minutos do segundo tempo, quando Carlos Alberto Garcia empatou o jogo, e pronto...

Começa a guerra nas arquibancadas, como o WD estava no final das reformas, foi pedra, pau, para tudo quanto é lado, sobretudo na TOL (Torcida Organizada do Londrina), porque os torcedores do Londrina mostravam a manchete da Folha de Londrina com os dizeres:

- Londrina no Nacional!, Aí foi demais, a pancadaria “comeu” solta. No outro dia as manchetes dos jornais em Maringá, estampavam às vítimas do Clássico, várias pessoas enfaixadas nos hospitais! Este episódio, foi a mola propulsora para o Grêmio ser tri campeão Estadual no ano seguinte e finalmente participar do Campeonato Brasileiro em 1977!!!Eu estava lá!!!

 

Wagner Crotti: Futebol história  - A Bandeira do Agenor - Desde o ano de 1976 a maior bandeira do WD era a do Agenor. Agenor morava na rua de baixo, a rua Marcelino Champagnat; era um cara quietão, de pouca conversa. Sempre que tinha jogo do Grêmio, passava o Agenor com sua imensa bandeira na nossa rua, a Vaz Caminha. Naquela época a molecada da rua Martim Afonso / Vaz Caminha não se dava muito bem com a turma da Marcelino / Itororó; logo a rua de baixo era território “hostil”. Quando tinha jogo aos domingos era infalível, as 12:00 horas, lá ía o Agenor e sua turma com seu bandeirão para o estádio. Decidimos então criar uma torcida organizada do Grêmio nas ruas Martim Afonso e Vaz Caminha em 1977, deveríamos ter umas seis ou sete bandeiras, não tínhamos faixa, só bandeiras e papel picado.

O objetivo era fazer uma bandeira maior que a dele. Arrumamos um dinheiro e compramos o tecido na Loja Karazawa e canos de PVC no depósito, pois estavam proibindo bandeiras com mastro de bambu, por conta da briga contra a torcida do Londrina. Não tínhamos noção do tamanho da bandeira do Agenor, mas levamos o tecido para minha mãe costurar, e em uma tarde nossas bandeiras ficaram prontas.

No proximo jogo, desta vez saímos primeiro do que o Agenor, pegamos nossos lugares na descoberta e abrimos nossas bandeiras; que alegria indescritível foi desfraldar pela primeira vez uma bandeira no WD, foi um momento que até hoje guardo comigo !!!

Foi quando chegou o Agenor, percebemos que a bandeira dele era maior e não vou mentir, naquele momento fiquei com raiva do raio do Agenor!

As nossas bandeiras eram legais (a foto colorida mostra nossas bandeiras), sentávamos sempre no alto das descobertas e fazíamos a festa para o nosso glorioso GEM! E o Agenor ficava sempre junto com o pessoal da TOG (torcida Organizada do Grêmio).

Mas acabaria acontecendo uma verdadeira “tragédia” na vida do Agenor. Seu pai fora transferido justamente para Londrina, e a família teria que se mudar para lá! Confesso que fiquei triste, não desejaria algo semelhante para ninguém. Ele sentiu o “baque”, mas não tinha o que fazer, logo mudaram, apesar de não conhecer ele direito, fiquei triste pela situação.

Com a classificação do Grêmio para o quadrangular final, o próximo jogo seria contra o Atlético Paranaense. O radialista Antonio Paulo Pucca lançou então a campanha:

- A maior bandeira do Estádio vai ganhar prêmios da “equipe da verdade”!!!! Começamos então a fazer uma “vaquinha” para comprar mais tecidos e emendar nossas bandeiras para ganharmos os prêmios (01 moto rádio, 01 kg de carne, 1 corte de cabelo etc). Não era pelos prêmios evidentemente, era a glória ter a maior bandeira do WD!!! Conseguimos um pouco de dinheiro, compramos mais tecido e a Dona Maria aumentaria nossas bandeiras, agora a coisa tinha aumentado, ficaram pesadas !!!

Domingo, entramos no Estádio, muitas bandeiras; estávamos bem representados com nossas bandeiras, poderíamos levar o “prêmio”, quando entra a torcida do Atlético.

Era inacreditável mas tinha uma bandeira enorme e era facilmente visível que era a maior!!!

Paulo Pucca no radio esbravejava:

- daqui das cabines a impressão é que a maior bandeira é do Atlético, procede ABG?

- infelizmente até o momento é a maior, resumiu ABG

- Barbaridade, reclamou Pucca, naquele seu jeitão!

Estádio quase lotado, parecia que até a torcida do Atlético sabia. Estávamos já aceitando a derrota quando, observa se uma movimentação na entrada das descobertas, e o impossível acontece!!!

Uma enorme bandeira toda quadriculada é desfraldada no estádio, gigante, talvez a maior bandeira do GEM de todos os tempos, a bandeira mais linda que já vi, e quem era o dono da bandeira? Ele mesmo, o Agenor!!!

Confesso que vibrei com aquilo, o estádio estava lotado e todo mundo aplaudindo o fanático Agenor!

No rádio, Paulo Pucca dizia :

- agora não tenho dúvidas, lá está a maior bandeira do estádio, depois localiza o torcedor aí !!!

Vencemos o Atlético por um a zero, e aquela foi a arrancada para o título de 1977 !!!

Agenor ainda voltaria no Estádio com esta bandeira na final contra o Coritiba!!!

Nunca mais vi o Agenor, mas diz a lenda que ele mudou próximo da avenida Higienópolis e colocava sua bandeira no telhado da sua casa, sendo visível de longe, bem no centro de Londrina!!!

A você Agenor, minha admiração!!!!

 

Luiz José Netto: “O Paulo Pucca era, sem dúvida, além de radialista, o mais ferrenho , fiel e fanático torcedor do nosso saudoso Galo.”

Depoimentos sobre a vitória sobre a Mourãoense por 3 a 0 em 1976, que a torcida e Pucca acharam que era pouco:

Wagner Croti; “Teve um jogo contra a Mouraense (saco de pancada do campeonato) que foi 3 x 0 e a torcida achou que foi pouco e o Zé Roberto falou assim:

- se não está bom, eles é que entrem em campo então!!!

Aí começou o rolo com a torcida!!!

Ted Teodoro Casanovai: “A torcida achou pouco porque no final da semana anterior, o Londrina havia metido 9 na Mourãoense. Eu tinha 9 anos e meu pai me levou ao estádio. A Mourãoense jogou os 90 minutos com os 11 da intermediária para trás.”

Reginaldo Benedito Dias: “Eu me lembro disso. Até o time do Umuarama havia goleado o time de Campo Mourão por 8 a 0. Ouvi o jogo pela rádio Cultura, impressionado com a impaciência da equipe de Ouro.”

Neto Sobrinho: “Nesse jogo, o Zé Roberto tentou uma bicicleta e falhou. A torcida pegou no pé. Ele ficou puto e deu um esporro na torcida. O Pucca, então, já de saco cheio, desandou a falar e desceu o 'cacete' no Zé Roberto. Falou tanto que, no outro dia, a diretoria rescindiu o contrato do Gazela. Realmente, a Mourãoense era um saco de pancadas e a única coisa boa que deixou foi a oportunidade de vermos todos os jogos no WD, já que não tinha estádio liberado naquela época. Bons tempos, Pucca, Tatá Cabral, Germano, Waldir Pinheiro, Ferrari, Renato Negrinho.”

 

Legenda foto – 1984  Nosso amigo do Museu Esportivo, Carlinhos Martins, um dos melhores narradores de futebol no rádio e na TV, envia uma foto de 1984. No estúdio da Rádio Cultura de Maringá, imprensa sabatina o presidente do Grêmio de Esportes Maringá, Mauro Carvalho Duarte, de perfil. Da esquerda para a direita: Angelo Rigon, Carlos Martins, Wilson Caetano (falecido), Antonio Paulo Pucca (falecido) e Verdelírio Barbosa. Em abril daquele ano, Duarte saiu da presidência do Galo, sendo substituído por Hugo Furlan.

Legenda foto – década de 1980 - Radialistas de Maringá, década de 1980: Antonio Carlos Toledo, Ananias Rodrigues, Nelso Rodrigues, o saudoso Antonio Paulo Pucca, Carlinhos Martins e o saudoso Germano Filho.

Legenda foto –  Jornal do Povo - Antonio Paulo Pucca e Ary Bueno de Godoy, edição do dia 25 de dezembro de 1991.

 

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