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O goleiro multicampeão pelo Grêmio Esportivo Maringá

Maurício Gonçalves nasceu em Jacarezinho-PR, no dia 26 de fevereiro de 1943, e faleceu em Maringá, no dia 8 de abril de 2021, aos 78 anos.

Maurício Gonçalves veio para o Grêmio Esportivo Maringá em 1963 depois de se destacar na Esportiva de Jacarezinho. O amigo Roderley, que também atuou naquela equipe é quem sugeriu a contratação do jovem goleiro. Presente nas grandes conquistas do Grêmio Esportivo Maringá, na década de 1960, Mauricio Gonçalves foi um dos grandes incentivadores do Museu Esportivo de Maringá. Faixas e flâmulas dos seus tempos de campeão foram doadas ao MEM, além de camisas antigas. Mauricio foi tricampeão do norte do Paraná, 1963-64-65, bicampeão estadual, 1963-64, campeão do Torneio Centro Sul Brasileiro, 1968, e campeão da série B do Brasileiro (Robertinho), 1969, pelo Galo do Norte. É o maior detentor de títulos atuando por uma equipe profissional de Maringá e fez parte do elenco vice-campeão paranaense em 1965 e 1967. Ele também participou de históricos amistosos contra equipes brasileiras e seleções internacionais, como o confronto com a União Soviética em 1966, vitória do Galo por 3 a 2, dois gols de Edgard Belizário e um de Luís Roberto. Uma carreira marcante.

 

www.angelorigon.com.br – 8 de abril de 2021 - Faleceu nesta tarde Maurício Gonçalves, considerado o maior goleiro do futebol profissional de Maringá. Ele colecionou títulos na década de 60, quando o Grêmio foi bicampeão estadual e tricampeão da Zona Norte. Ele tinha 78 anos, completados em 26 de fevereiro, e morreu devido a complicações da covid-19. Maurício também foi campeão da série B do Brasileiro (Robertinho).

Defendendo o Grêmio Esportivo Maringá, Maurício Gonçalves atuou no jogo contra a Seleção Soviética, com Yashin, o Aranha Negra, considerado o melhor goleiro do mundo. O Grêmio venceu a partida, inesquecível, conforme relatou Airton Donizete em reportagem publicada na Folha de S. Paulo em 2019. Integrante do Lions Clube, era muito querido em Maringá, onde se estabeleceu após encerrar a carreira. “Descanse em paz, Maurício Gonçalves, nosso eterno campeão. Obrigado pelas alegrias que você proporcionou à torcida maringaense. Obrigado pela tua amizade e o teu carinho. Obrigado pelo apoio ao Museu Esportivo de Maringá. Para sempre nos nossos corações”, escreveu o jornalista Antonio Roberto de Paula, do MEM, ao comunicar a morte do ex-goleiro. O sepultamento, direto, acontecerá nesta sexta-feira. Casado com dona Lourdes e pai do Mauricio Gonçalves Júnior e Emerson, Maurício também foi árbitro de futsal, presidente do Lions e considerado por muitos goleiros o melhor treinador de goleiros que passou por Maringá.

8 de abril de 2021 – Queridos amigos, quanta tristeza em meu interior. E eu nunca tinha avaliado quanto é bom ter amigos, quando perdemos um grande amigo é que descobrimos    o quanto é importante a lealdade, o respeito e o grande  amor  a todos,  principalmente  quando  lembramos  dos  melhores momentos  da nossa  mocidade. Hoje estou vivendo com muita tristeza a perda deste que  foi  meu companheiro por  58 anos, este grande amigo era quem mais  alegrava  as nossas viagens  quando  saíamos para defender o Grêmio e a torcida   maringaense. É com muita tristeza e com lágrimas nos olhos que levo a todos as minhas  sinceras palavras  e dizer  o quanto o Maurício foi importante em minha  vida  como  amigo, irmão. Que Deus tenha reservado para ele o mais nobre lugar, com muita luz, muita paz nesta nova morada. Ele fez o seu melhor e a nós resta agradecer a sua bondosa amizade. Que neste momento você esteja nos braços de Deus. (Roderley Geraldo de Oliveira)

 

8 de abril de 2021 - Hoje me despeço de um grande amigo. Desses que a vida nos dá de presente. Foram mais de 40 anos de convivência com Maurício Gonçalves e sua maravilhosa família. Grande profissional da bola, goleiro dos bons tempos do futebol. Disciplina absoluta, merecia o Belfort Duarte, que injustamente não lhe deram. Organizado em tudo que fazia, tanto que tinha um grande acervo de fotos e arquivos de sua época. Não raro os jornalistas recorriam a ele nas matérias. Foi maiúsculo também como treinador de goleiros. No Grêmio foi o preparador de Rafael, Rubens e Robson, (entre outros) todos 'Goleiros do Fantástico'. Mérito deles e, sem dúvidas, da bagagem que Maurício lhes repassou. Como amigo, um cara sempre jovem, gostava de música, e um bom churrasco. Quantos nos fundos de sua casa, na Santos Dumont. Uma cervejinha e dá-lhe viola. Meu amigo Maurício viveu e, tenho certeza, foi feliz com sua grande companheira Lurdes e os filhos Maurício Jr. e Emerson. Segue em paz Guerreiro. Grato por sua amizade. (Carlinhos Martins)

Maurício! É com muitos sentimentos, mais com gratidão a Deus, pela convivência em que tive com você. Pelos conselhos e dizer o quanto você foi importante no meu crescimento como atleta, e principalmente como homem, e ser humano! Deus o receba de braços abertos em seu reino e te dê descanso. Até o dia do juízo final. Um forte abraço a sua esposa, seus filhos, e seus amigos. Deus conforte o coração de todos! Muito obrigado Maurício, sou grato a Deus por tudo que você foi pra mim! Descanse em paz! Deus é por nós! (Bugrão)

Conheci o Mauricio em 1972 quando ele jogou pelo CAFE de Cianorte. Que pena! Mais um amigo que se vai. Foi quase todo o time do Grêmio, que tinha “falido”. Me lembro a escalação do CAFE naquele ano:

Mauricio

Ciska

Tomé

Puccineli

Virgílio

Roderlei

Yaúca

Miltinho

Peter (Cambalhota)

Paulo Campos

Cândido

Nesse time o glorioso Roderlei não era quarto zagueiro, era médio volante. Tive o prazer de treinar com eles. Eu jogava no amador e a verba era curta, por isso o elenco era muito pequeno. Então, sobrava uma boquinha pra piazada! (Ideval Ignácio de Paula)

Foi meu ídolo da infância. Em algum período, foi técnico de futebol de pelada da AABB. Fui convocado para jogar pela AABB (distinção do meu querido padrinho Pedro Cezar) e ao chegar de Curitiba, encontrei o Maurício como técnico da AABB. Uma das JESABs, acho. Foi uma surpresa e uma alegria... Fui infanto-juvenil do GEM no tempo em que ele era o goleiro tricampeão! Desculpem, é o jeito único que tenho de homenageá-lo. Uma perda notável. (Aurélio Marcos Ribeiro – Curitiba)

Em 1963, Maurício Gonçalves, goleiro da Associação Esportiva Jacarezinho, veio jogar no estádio Willie Davids contra o Grêmio Esportivo Maringá, amistoso comemorativo do título paranaense do Galo do Norte. Maurício já tinha fechado o gol no primeiro amistoso e neste fechou também. Foram duas vitórias, 3 a 2 e 2 a 1, do time do norte pioneiro e Maurício acabou sendo contratado pelo Grêmio, que se tornaria bicampeão estadual em 1964. Esta 'ponte' de Maurício está registrada numa das salas do Museu Esportivo de Maringá. Ao ver a imagem no livro sobre a carreira de Maurício (ainda não publicado), Gabriel Kara Neto, grande parceiro do MEM, pediu que emoldurássemos. Foi o que fizemos. Maurício é o maior colecionador de títulos do futebol profissional de Maringá. O marido da dona Lourdes é um dos grandes doadores de relíquias para o nosso acervo, com faixas, camisas e fotografias e sempre participa dos nosso eventos. Em 1963 ele nos presenteou com esta pintura. O que estamos fazendo é divulgar esta bela imagem com o Willie Davids repleto de torcedores. O jogador do Grêmio que está no lance é o centroavante Celião, que faleceu recentemente. Parabéns, amigo!! (Antonio Roberto de Paula)

No dia 13 de fevereiro de 1966, o Grêmio Esportivo Maringá escrevia uma das mais belas páginas da história do futebol paranaense. No amistoso disputado no estádio Willie Davids, venceu a União Soviética por 3 a 2. Um resultado improvável. O time do interior do Paraná, com dois gols de Edgar Belizário e um de Luiz Roberto, derrotava o temido selecionado soviético do lendário goleiro Lev Yashin, o Aranha Negra. Uma alegria incontida para os torcedores da cidade de 110 mil habitantes e da região. Uma vitória sempre lembrada pelos maringaenses. A escalação do Grêmio Esportivo Maringá: Maurício Gonçalves, Oliveira, Edson Faria, Roderley e Pinduca (Vitão); Haroldo Jarra e Zuring; Luiz Roberto (Danúbio), Edgar, Célio e Valtinho. (Antonio Roberto de Paula)

O estádio Willie Davids estava lotado, e para surpresa da poderosa União Soviética, o Galo surpreende e vence a partida pelo placar de 3 x 2, gols de Luiz Roberto (1) e Edgar (2). A festa foi tremenda com direito à volta olímpica com o troféu que estava em disputa pelo amistoso. (Moisés Bispo dos Santos)

Maurício, você é um nome histórico do futebol maringaense. Imagino quantas emoções já sentiu vendo o Willie Davids lotado gritando Grêmio campeão. Imagino também as decepções, mas, certamente, são bem menores que as alegrias. Nós, torcedores do futebol maringaense, devemos sempre homenagear nossos ídolos. E você faz parte desse restrito e seleto grupo. (Antonio Roberto de Paula)

Legenda da foto – Jogo contra a União Soviética – Maurício em ação. Nosso amigo do Museu Esportivo, Maurício Gonçalves, na dividida com o atacante russo. Foto emblemática e carregada de saudades da época de ouro do futebol maringaense. Dia 13 de fevereiro de 1966, Grêmio Esportivo Maringá 3 x 2 União Soviética. Goleirão Maurício Gonçalves, papa-títulos do futebol paranaense, para sempre na história. Crédito da foto: nosso amigo do Museu Esportivo, Ronaldo Augusto Borba, o Borba Filho, na época repórter da Folha do Norte do Paraná.

Trabalhei no período de 1964 a 66 na rádio Difusora de Maringá, uma das emissoras coligadas, como auxiliar de escritório junto com Wilson Silva, Carlos Roberto, Joe Silva e Lindolfo, e jogava futebol profissional pelo Grêmio. (Maurício Gonçalves)

Me lembro desse quarteto brilhando em Campo pelo GEM. Roderley era um quarto zagueiro clássico e sair jogando era uma das suas habilidades. Ciska era lateral esquerdo, marcava bem e apoiava também. Me lembro do Oliveira na lateral direita que jogava duro, marcava bem e revezava com Nilo. Nós o chamávamos de Oliveirão, pois tinha o Oliveirinha na outra lateral. E Maurício que também fechava o gol. Quarteto de ouro. (Waldemir Poppi)

Legenda da foto Grêmio Esportivo Maringá 1 x 11 Santos – 1965 - Quadro doado por Mauricio Gonçalves, goleiro do Grêmio Esportivo Maringá ao Museu Esportivo de Maringá. Jogo: Santos 11 x 1 Grêmio Esportivo de Maringá. 'Pelé anotando um gol em Maurício.'

 

Reportagem do jornalista Edilson Pereira, publicada na Tribuna do Paraná, edição do dia 15 de setembro de 2014:

Lendas Vivas - Maurício defendeu o Grêmio Maringá em momentos especias

'Nenhum outro goleiro esteve mais presente nos momentos históricos do Grêmio Esportivo Maringá como Maurício Gonçalves, paranaense de Jacarezinho, nascido no dia 26 de fevereiro de 1943. Ele estava defendendo a meta do Galo do Norte quando o alvinegro foi bicampeão estadual, tricampeão regional e derrotou o Sport em Maringá e em Recife, por 3×0 nas duas vezes, que acabou rendendo um título nacional de torneio promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Ele estava no campo no único jogo que o time fez no Maracanã, esteve nos bons momentos como quando venceu seleções estrangeiras (o Grêmio enfrentou as seleções da Rússia, Romênia e do Paraguai) e também nos momentos difíceis como aquele em que time levou 11×1 do Santos no Willie Davids em 1965 ou quando perdeu o tri estadual para o Ferroviário em 1966.

Maurício ficou no Grêmio pouco depois do começo do clube até princípio dos anos 70, quando o time acabou e ele foi embora primeiro para Cianorte e depois para Campo Grande, onde encerrou a carreira em 1977. Ele retornou em 1980 depois que o Galo ressurgiu na metade dos anos 70 com a denominação de Grêmio de Esportes Maringá. “Em 1980 eu voltei para Maringá e até 1986 fui preparador físico do Grêmio”, conta. A vida dele se entrelaçou com a do Galo do Norte e ele ainda está em Maringá. Este homem de aparência tranquila e pouca conversa que mora num apartamento confortável no centro da cidade será sempre um símbolo dos tempos em que o Norte tinha futebol de qualidade e manteve a hegemonia do futebol paranaense.

“A minha história com o Grêmio Maringá começou depois que o time venceu o Ferroviário em Curitiba e conquistou o título de campeão estadual de 1963”, conta Maurício. O título, como ocorria naqueles anos, foi conquistado no começo do ano seguinte, final de março de 1964. “O Grêmio se preparava para a temporada daquele ano e foi jogar em Jacarezinho, que tinha um bom time”, diz ele. A Associação Esportiva Jacarezinho, onde Maurício começou a carreira em 1958, no time juvenil, enfiou 3×0 no Grêmio. O alvinegro ficou tão mordido que pediu revanche, desta vez na Cidade Canção. “E nós ganhamos mais uma vez do Grêmio o que provocou a demissão do técnico Melado e a contratação de Alfredo Farid”, conta Maurício.

Além de novo técnico, o Grêmio cobiçou meio time do Jacarezinho, que mostrou em campo ser melhor que o campeão do Estado. “O Grêmio queria o goleiro que era eu, queria o atacante Edgard, o quarto zagueiro Roderley, além de Salim, ponta esquerda e de Escuritinho. Os dois últimos acabaram indo para o Santos e para o São Paulo”, conta Maurício. E os três que ficaram são até hoje ídolos históricos do Grêmio. Maurício e Roderley ainda moram em Maringá e Edgard mora em Ponta Grossa.

Foi assim que o Grêmio de Maringá montou a base daquele timaço dos anos 60 que se impôs como um dos grandes esquadrões do futebol paranaense. “Era um belo de um time. Era um espetáculo vê-lo jogar. Foi uma boa fase que durou quase dez anos”, conta Maurício. E depois que aquele time acabou cidade e região viram poucas vezes outro igual.

No Maraca

No dia 24 de agosto de 1969, o Grêmio Esportivo Maringá jogou no Maracanã contra o Nacional de Manaus, na preliminar do jogo Brasil e Venezuela, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970. O time de Maringá pressionou o tempo todo, mas acabou vencido pelo tradicional clube amazonense por 1×0, gol marcado por Pepete aos 8 minutos do primeiro tempo. A vitória do Nacional é considerada até hoje a maior e mais festejada conquista do futebol amazonense no cenário brasileiro. No jogo de fundos, não teve pros venezuelanos: vitória das Feras do Saldanha por 6×0.'

 

 

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“Quilômetros de papel e rios de tinta imprimem o futebol ao longo dos anos, atravessando gerações. Na era digital, as Imagens avançam pelos céus, rompem todas as fronteiras. As vozes do amor ao futebol ecoam pelo grande campo que é o mundo. Agora, em algum lugar, alguém chuta uma bola. A paixão mais documentada da história não para. O jogo nunca termina.”

(Antonio Roberto de Paula)

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