O Grêmio Esportivo de Maringá, fundado em 1961 e afundado nas dívidas 10 anos depois, foi o verdadeiro Galo do Norte do Paraná, um time que encantou não só gerações de maringaenses, mas deslumbrou apreciadores do futebol de todo o Estado. Pelo Estádio Willie Davids e também por gramados como o Vitorino Gonçalves Dias, de Londrina e tantos outros do Norte e da Capital, desfilaram craques de nível de seleção, como Roderley, graças a Deus ainda vivo e com saúde, Zuring, Haroldo Jarra, Macário, Edgar e o lendário Garoto que, ao lado de Gauchino, do Tubarão, foi o grande terror das defesas adversárias no início da década de 1960.
Sou testemunha ocular dos grandes feitos do Grêmio Esportivo de Maringá, porque na condição de menino privilegiado, acompanhava as transmissões esportivas da Rádio Cultura, ajudando a puxar fios e carregando maletas de fones e microfones para o grande narrador Antônio Paulo Puca, inclusive viajando com ele e o comentarista e gerente da emissora, Ademar Schiavone, na kombi dirigida pelo Loreto, responsável técnico pelas inesquecíveis jornadas esportivas das tardes de domingo. Eu trabalhava nos jogos e os assistia também, claro, de dentro do campo, geralmente atrás do gol e ao lado do repórter de pista. Entre eles, me vem a lembrança ninguém menos do que Haroldo de Souza, que acabou virando um narrador de projeção nacional; Edvaldo Ribeiro e o lendário Ary Bueno de Godoy, o saudoso ABG.
Eu estava com Puca, Ademar e Loreto em um jogo do Paranaense em Cambará, quando aquele Grêmio deu um sacode no time da casa e o jogo teve que ser interrompido por causa de uma briga entre os jogadores, que começou numa disputa de bola do ponta-esquerda Danúbio com o lateral direito do Cambará, chamado Chuvisco. A torcida do time da casa começou a jogar pedaços de pau pra dentro do gramado e o juiz Jacó Uliana encerrou a contenda aos 41 minutos do segundo tempo e precisou sair escoltado pela Polícia Militar. Sem se intimidar, Puca metia o pau no comportamento dos jogadores e da torcida do Cambará e por conta disso, a kombi da Rádio Cultura teve que ser escoltada pela PM até a saída da cidade. Se bem me lembro, o placar daquele jogo foi 3 a 1 para o Galo, fora o vareio.
Estive também no VGD em Londrina numa tarde chuvosa de domingo, quando o Grêmio venceu o LEC por 1 a 0, numa partida em que o goleiro Celso só não fez chover porque São Pedro já estava se encarregando da tarefa. Também, houve confusão nessa partida e a Polícia Militar teve que trabalhar muito.
Enfim, aquele Grêmio era mesmo um time do balacobaco. Não era imbatível, mas encarava qualquer adversário, mesmo que fosse na temível Bandeirantes, do União do presidente Meneguel e da dupla infernal de atacantes Paquito e Abatiá, sem contar os bruta-montes lá da cozinha, Pescuma e Geraldo Roncato.
Não dá pra esquecer as façanhas do Galo do Norte do Paraná contra times internacionais, como o Rapid de Viena e a seleção russa do Yashin, o lendário “Aranha Negra”. Muito menos, dá pra esquecer a maior de todas as conquistas do alvi-negro maringaense, na minha opinião : o “Robertinho”, correspondente ao Campeonato Brasileiro da série B na atualidade, quando aquele timaço do Maurício, Roderley, Zé Carlos (um zagueiro central altamente técnico, no estilo Gamarra) , Edgar, Nilo e companhia, venceu o Sporte aqui e no Recife. E claro, “os títulos do Torneio Centro-Sul de Futebol de 1968, competição inter-regional brasileira, e o Torneio dos Campeões da CBD, disputado em 1969 “, cujo reconhecimento é reivindicado hoje pela cidade à CBF, em campanha liderada pelo Museu Esportivo do abnegado Antônio Roberto de Paula.
Volto ao túnel do tempo para lembrar que antes de trabalhar como ajudante do técnico Loreto e ter o privilégio de acompanhar Puca e Schiavoni nas jornadas esportivas domingueiras, eu frequentava semanalmente a “República do Seu Teodósio”, na Rua Néo Martins, onde moravam algumas estrelas daquele timaço dirigido pelo Nestor Alves da Silva. Eu engraxava sapatos dos craques que moravam e dos que não moravam no local, mas estavam sempre por ali jogando caxeta. Engraxei sapatos, por exemplo, do Zé Garoto, do Oliveirinha, do Jangada, do Roderley, do Ariston, do Macário, do Haroldo Jarra, do Zuring e do Valter Prado, um meia-direita que ao lado do Garoto tornava o ataque daquele Grêmio numa máquina de fazer gols.
Foi a partir da “República do Seu Teodósio”, que virei a chave da minha vida e comecei a trilhar os caminhos do jornalismo. De que forma? Explico: no mesmo prédio funcionava a Trans Press, uma agência de notícias. A diretora, jornalista dona Geny, me pediu para engraxar seus sapatos. Eu não tinha graxa branca e ela comprou pra mim uma lata e uma bisnaga de alvaiade. Quando terminei de engraxar aquele monte de sapatos de salto, ela me convidou para trabalhar na agência. Perguntou quanto eu queria ganhar. Respondi: “3 contos, tá bom pra senhora?”. Ela me surpreendeu: “Pago 5, tá bom pra você?”.
Meu trabalho era de levar as notícias datilografadas nas quatro rádios AM existentes na cidade (Cultura, Difusora, Atalaia e Jornal). Andava o dia inteiro e à tardezinha eu pegava o pacote de notícias produzidas ao longo do dia e levava nas redações da Folha do Norte e do O Jornal. Quando a Trans Press fechou e dona Geny voltou para Curitiba, fui pedir emprego na Folha do Norte ao editor-chefe Ivens Lagoano Pacheco. Ganhei o emprego e fui trabalhar de offce boy da redação, fazendo pequenos serviços para os redatores, como o Antônio Calegari, o Borba Filho e o A.A. de Assis, então secretário da redação e um dos sócios do jornal, arrendado em parceria com Joaquim Dutra, junto ao dono do matutino, bispo Dom Jaime Luiz Coelho. Daí para eu começar a trilhar os caminhos do jornalismo foi um passo.
Depois que o Grêmio Esportivo fechou definitivamente a sua sede na Rua Jobert Carvalho e pendurou as chuteiras na galeria da saudade , como diria Fiori Giglioti, outro Grêmio surgiu, o de Esportes, que também marcou época, chegando ao título estadual em 1977. Mas sempre achei inadequado a crônica esportiva local confundir os torcedores sobre os dois grêmios, ignorando o fato de que o Grêmio Esportivo, apesar da sua morte prematura, seria insubstituível na história futebolística de Maringá. Aqui aproveito para render uma homenagem, imagino que póstuma, ao grande Navarro Mansur, o presidente que formou e comandou aquele timaço em um período que o futebol paranaense jamais esquecerá.
Legenda da foto: Tive o privilégio de ver esses caras todos aí jogar. Inclusive o goleiro Evir, que parecia com o Elvis Presley e a mulherada caia matando pra cima dele. Só lembrando, da esquerda pra direita, em pé: Evir, Edson Faria, Pinduca, Haroldo Jarra, Roderley e Nilo. Agachados: Danúbio (o da confusão em Cambará), Edgard, Valter Prado, Zuring e Garoto.
Messias Mendes é jornalista em Maringá, onde também acompanhou de perto a participação da cidade canção em várias edições dos Jogos Abertos do Paraná, tendo sido, ao lado de Osvaldo Lima, Valdemar Giovanini e Vanderley Marques, um dos fundadores da Liga Maringaense de Futebol de Salão, o esporte da bola pesada, que hoje atende pelo nome de Futsal.
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Atletas da Assama - Associação dos Deficientes por Amputação de Maringá e as meninas do futebol do Seleto Maringá em visita ao Museu Esportivo de Maringá no dia 9 de novembro de 2019.
#museuesportivodemaringa
#amigosdomuseuesportivo
Corrida no pátio do Colégio Marista de Maringá
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Amigo do MEM, João Alavarse, pediu para seu amigo Negreiros, que acionou Manoel Maria e a camisa chegou até Pelé, que escreveu: “Ao Museu Esportivo de Maringá grande abraço Pelé”.
Texto de Antonio Roberto de Paula, diretor do MEM
Em março de 2020, tive uma ideia. O Rei Pelé, o maior jogador de todos os tempos, está bem representado no Museu Esportivo de Ma
“Quilômetros de papel e rios de tinta imprimem o futebol ao longo dos anos, atravessando gerações. Na era digital, as Imagens avançam pelos céus, rompem todas as fronteiras. As vozes do amor ao futebol ecoam pelo grande campo que é o mundo. Agora, em algum lugar, alguém chuta uma bola. A paixão mais documentada da história não para. O jogo nunca termina.”
(Antonio Roberto de Paula)
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