Últimas Publicações / Seu Tula e Dona Lourdes eternamente em nossos corações (Crônica de Antonio Roberto de Paula - 08.02.2024)

Na segunda-feira passada, dia 4, fui com meu irmão Augusto até Engenheiro Beltrão, no velório do Seu Tula, querido amigo da nossa família, compadre do meu saudoso pai Milton e da minha mãe rita. Seu Tula, pioneiro beltronense, o moço da cidade paulista de General Salgado, faleceu aos 96 anos.

Apaixonado por futebol, pelo Palmeiras, pela Associação Esportiva Recreativa de Engenheiro Beltrão, do qual ele foi técnico, diretor, presidente e várias outras funções, Seu Tula era do Bar Central, estabelecimento de madeira, de várias portas, que vivia lotado nos anos 60 e 70. Bar que rivalizava com o Ponto Chic, um perto do outro, na avenida principal, bem no coração da pequena cidade.

Seu Tula, que foi vice-prefeito do Município, era casado com a Dona Lourdes, falecida há mais de 20 anos. Vou fazer uns parênteses para falar sobre a Dona Lourdes, parênteses bem amplos, esticados, merecidos. Dona Lourdes tinha olhos claros, pele bem clara, sorriso constante. Seu nome era Lourdes e trabalho o seu sobrenome. Ajudava o marido no bar, cuidava dos filhos Zezé, Jair, Gerson, Solange e Astoril e cuidava da casa que ficava nos fundos do bar.

Lembro com muito carinho da Dona Lourdes, que fazia o doce de banana mais gostoso que já comi na vida. Um dado marcante é que o nosso aniversário é no mesmo dia e mês: 17 de junho. Jamais esqueci. No dia do velório lembrei a Solange disso e ela sabia. A gente ia sempre na casa dos Tomaz naqueles anos 60. Eu e minha família. Enquanto o meu pai ficava no bar tomando Brahmas, fumando Continental e papeando com os amigos, minha mãe, eu e meus irmãos ficávamos lá no fundo.

Grande amizade, tanta que o meu pai deu o Amilton, um dos meus irmãos, para o Seu Tula e a Dona Lourdes batizarem. O Amiltinho, como os padrinhos o chamavam. Lembro do corredor escuro que ligava o bar à casa, do quintal onde a gente batia bola.  Muitas lembranças.

Indo para o velório, estes pensamentos estavam comigo. Junto deles o fato de que, com a morte do Seu Tula, eu estaria simbolicamente me despedindo de Engenheiro Beltrão, onde moramos nos anos 60 e depois voltamos para Maringá. Temos amigos queridos lá, meu irmão está sempre em contato. Eu, já fazia mais de 20 anos que não ia a Beltrão. Talvez pelo fato de ter ido estudar fora e morar com meus avós em Maringá a partir de 1968, o vínculo não tenha sido consistente. Por isso, o Seu Tula, a Dona Lourdes e seus filhos são as presenças mais fortes na minha memória.

No velório, o Miolla, casado com a Solange, pôs a camisa do Engenheiro Beltrão nos pés do caixão. Bela homenagem. Senti a falta de uma camisa do Palmeiras. Nisso o genro corintiano não pôde e também não quis ajudar. Mas, principalmente, senti falta da bandeira do município para reverenciar o querido pioneiro, que foi autoridade na cidade. Pelo menos até as 10 da noite não tinham colocado. Na despedida, abracei a Solange, o Jair, o Gerson (eterno garoto), o Astoril, o Miolla, os demais familiares, os amigos antigos, os conhecidos antigos dos quais não me lembrava e nem eles de mim.

Por mais triste que tenham sido aquelas horas velando o Compadre Tula, saí com uma boa sensação de retorno ao passado, alegre por rever tantas pessoas queridas e a certeza de que, por mais distante que eu esteja de Engenheiro Beltrão, sempre vou guardar com carinho a cidade que uniu para sempre as famílias De Paula e Tomaz.

Um eterno abraço ao moço que veio de General Salgado. E repetindo Fiori Gigliotti: “Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo”.

Seu Tula foi sepultado na terça-feira, dia 5, no Cemitério Municipal de Engenheiro Beltrão no jazigo da família, junto com a Dona Lourdes.

 

Fotos: Seu Tula no time veterano de Engenheiro Beltrão nos anos 60, com equipes da Associação Recreativa e Esportiva de Engenheiro Beltrão, com meu irmão Augusto e carteirinha de sócio de 1964 do Grêmio Esportivo Maringá.

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