Últimas Publicações / Wlamir Marques, mestre nas quadras de basquete, mestre na sala de aula

No dia 17 de abril de 2021, ao completar 50 anos de vida acadêmica, Wlamir Marques fez uma comovente declaração de amor aos seus queridos ex-alunos e ex-alunas.

'Há cinquenta anos (1971) eu era um atleta pensando em deixar as quadras para entrar nos picadeiros da vida. A troca foi pré-determinada. O salto foi enorme, com certeza o de maior qualidade em toda a minha vida. Saía das glórias esportivas para pisar nos difíceis chãos da vida. Optei em ser professor de Educação Física imaginando ser a continuação de mais um jogo do perde e ganha. Puro engano, em sala de aula nunca perdi. Aos 34 anos voltei a fazer parte de uma classe. Voltei aos livros, aos cadernos didáticos e à empatia com a profissão. Não dei chances ao comodismo, procurei ser um aluno exemplar. Era um bi campeão do mundo à busca de conhecimento. Sabia tudo de bola, mas quase nada do relacionamento humano em sala de aula. Ao lado dos meus colegas, comecei a sentir a minha importância futura. Por ser mais velho ou pelo passado esportivo, fui eleito entre 400 alunos para ser seu representante junto à direção da faculdade (Fefisa). Ao assumir esse papel lembrei-me das quadras, onde durante 10 anos fui o capitão da seleção brasileira de basquetebol bicampeã do mundo. Observando os professores cheguei à algumas conclusões. Alguns professores eram respeitados apenas por darem notas baixas, despertando medo. Nunca gostei de me submeter àquelas terríveis provas. Ali eu só queria aprender, sem precisar provar nada. O meu maior desejo era um dia poder entrar em uma sala de aula com métodos diferentes. Nos meus 40 anos de magistério a minha vontade de ensinar sempre esteve acima de qualquer nota. Assim me fiz e assim fui. Uma exceção? Talvez! Hoje digo que o amor venceu! WM. Obs: Nos meus tempos de docência acadêmica, tive ao meu lado mais de dez mil alunos (as) graduados (as) ou, em cursos de especialização técnica em basquetebol. Me orgulho muito em dizer que nunca reprovei um aluno (a) em toda minha vida. Nunca tive motivos para qualquer reprovação, todos (as) foram maravilhosos (as). Pensando nisso, só tenho que agradecer à todos pela convivência. Muito obrigado meus queridos ex-alunos (as), ao lado de vocês fui feliz e aprendi muito. WM.'

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Conheça a história do Diabo Loiro, o ala-armador brasileiro multicampeão do mundo Wlamir Marques.

Vida

Wlamir Marques nasceu em São Vicente, no dia 16 de julho de 1937, tendo hoje 73 anos completos.

Começou no basquete quando tinha aproximadamente 10 anos de idade, na sua cidade natal, no time de Tumuaru.

Carreira Profissional

Em 1953, com então 16 anos, passava a jogar pelo XV de Piracicaba, onde fez sucesso rapidamente e no ano seguinte já estava na seleção brasileira disputando o mundial de 1954, quando o Brasil conquistou o segundo lugar. Foi para as Olimpíadas de 1956 na Austrália, voltando com o 6º lugar, e para a de 1960 no Japão voltando com o Bronze, onde ele foi um dos principais jogadores, senão o principal. Ele marcou 145 pontos, mais do que marcou em 1964!

Em 1959, ganhou o primeiro campeonato mundial do Brasil. Nessa época ele já acumulava títulos, com medalhas de bronze nos jogos pan-americanos, um terceiro lugar e um titulo nos jogos sul-americanos e várias conquistas pelo clube, principalmente campeonatos paulista e torneios Abertos do Interior

Em 1962, o Corinthians Paulista, começa a montar uma “seleção” com Amaury Passos, Rosa Branca, e posteriormente com o novato Ubiritan. Wlamir tinha então 25 anos de idade e também foi para o time, onde foi octacampeão paulista e começou sua carreira como treinador, sendo técnico do time feminino.

Esse time do Corinthians era de uma excelência, que venceu até o time do Real Madrid, equipe que até hoje é dos melhores times de basquete FIBA em todo o mundo! E como não poderia ser diferente, o Diabo Loiro se superou, já que havia tomado uma pancada e estava com o olho bem dolorido e inchado, anotando simplórios 54 pontos!

Mas, em 1972, o Corinthians desfez a modalidade que era um modelo para o basquete no Brasil. Então, Marques foi atuar no Tênis Clube Campinas, onde além de jogador, iria treinar o time, papel parecido com que Bill Russell fez no Celtics no final da década de 60.

Ele, assim, conquistou ao todo jogando por clubes: 6 brasileiros, 10 titulos estaduais, entre muitos outros.

Tempos de glória na seleção

Na seleção, o jogador tem uma história de muitas vitórias. Ele, juntamente com o croata Kresimir Cosic são os medalhistas mais vitoriosos do Mundial FIBA, com dois ouros e duas pratas

Ele jogou os mundiais de 1954 no Rio de Janeiro, 1959 em Santiago, 1963 no Rio de Janeiro e 1970 na Iugoslávia. Representou nosso país também em quatro Olimpíadas: Melbourne em 1956, Roma em 1960, Tóquio em 1964 e México em 1968. Nas Olimpíadas de Munique, em 1972, ele foi convocado, para ser auxiliar técnico e para jogar. Mas, ele deu preferência a sua educação, mantendo-se no curso de Educação Física que fazia na época.

Em âmbito continental, ele tem medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 1963 e medalhas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1955 e 1959.

Possui, além disso, quatro medalhas de ouro do Campeonato Sul-Americano de Basquetebol.

Ele jogou junto com Amaury Passos, Algodão, Rosa Branca e Ubiratan, liderando a geração de basquete mais gloriosa que o Brasil já teve.

Carreira como treinador

Após sua passagem como treinador-jogador, ele resolveu parar de jogar em setembro de 1973 e apenas comandar.

Comandou, entre outros times, Limeira (SP), Jundiaí (SP), Corinthians (SP), Tênis Clube de Campinas (SP), Palmeiras (SP), Hebraica (SP), Cerquilho (SP), Pinheiros (SP) Telesp Clube (SP) no basquete masculino. No feminino treinou com mais êxito Corinthians (SP), XV de Piracicaba (SP), São Caetano (SP), vencendo títulos importantes como o 1° campeonato paulista adulto masculino, e 2 vezes o mesmo campeonato feminino.

Estilo de jogo

Wlamir Marques jogou em todas as 5 posições atuais, mas vale lembrar que na época dele só haviam três, pivô, lateral e armador. Fazendo dele assim, um jogador completo. Vale lembrar também que em seu tempo de jogador não existia linha para 3 pontos, o que para ele foi muito ruim, já que seu arremesso sempre foi invejável.

Comparar o jogador de antigamente com o jogador de hoje é muito complexo. Hoje o profissionalismo, as regras, os trabalhos fisiológicos, a dedicação exclusiva do atleta, os treinamentos, enfim, tudo fica muito difícil ao compararmos épocas, mesmo às vencedoras como foram as dele.

Naquele tempo, os jogadores eram mais ecléticos e jogavam em todas as posições. Ele tinha uma capacidade de armar o jogo, puxava muito contra ataque, era o cestinha da equipe na maioria dos jogos, fazia média de 30 pontos na maioria dos campeonatos realizados no Brasil, isso sem a linha de 3 e sem essa quantidade enorme de arremessos de lance livre como ocorrem hoje.

Possuía qualidades físicas muito especificas para a modalidade, saltava muito, enterrava em todas as posições, possuía um arremesso de Jump (salto) exaustivamente treinado com poucas possibilidades de erro, lance livre raramente perdidos. Por 10 anos foi o capitão da seleção brasileira e sempre impôs muito respeito nas decisões, foi um líder sempre no bom sentido, altruísta e vitorioso .

Títulos Individuais

Wlamir Marques também obteve várias conquistas individuais, como:

. Troféu Heims de Melhor Atleta da América do Sul (1961)
. Cruz do Mérito Esportivo (1953)
. Medalha do Mérito Esportivo
. Cidadão Emérito de São Vicente (SP)

Histórias na seleção

Durante a preparação para o Mundial de 1959, a seleção estava reunida em Volta Redonda. Kanela não queria que Wlamir perdesse os treinos para ver o filho, que estava para nascer.

À noite, o atleta pulou o muro, pegou um ônibus e foi para Piracicaba encontrar a mulher. O jogador quase foi cortado por desobedecer às ordens do treinador.

Sorte que não foi suspenso. Wlamir foi o cestinha da campanha brasileira pelo primeiro título mundial, com uma média de 14,5 pontos por jogo.

Dia de Glória escrito pelo próprio Wlamir

“O maracanãzinho estava lotado. Era um publico vibrante que torcia pela vitória do Brasil naquele campeonato mundial de basquetebol, no ano de 1963, no Rio de Janeiro. A seleção brasileira estava bem preparada para disputar o mundial. Em um ano de treinamento, havia ganhado o campeonato sul-americano e um vice pan-americano perdendo apenas para os Estados Unidos. Naquele ano de 1963, o Brasil vinha vencendo todos seus adversários e faltava apenas Estados Unidos e União Soviética. O jogo da vida de Wlamir Marques foi aquele contra os americanos. Foi um jogo nervoso e com certo equilíbrio. Mas, aproveitando as falhas do adversário, os brasileiros comandados por Wlamir chegou a uma vitória por 87 a 82. Foi um delírio. A quadra foi invadida, todos os jogadores choravam e fazia uma festa indescritível. Wlamir não sabia o que fazer, chorava e sorria ao mesmo tempo. No jogo seguinte, o Brasil também venceu a União Soviética e se sagrou bi campeão mundial de basquetebol. É com o pé, é com a mão, o Brasil é bi campeão. Este era o grito da torcida no maracanãzinho, numa demonstração da superioridade dos brasileiros no basquetebol mundial. Depois de um mar de emoções, o capitão Wlamir ergueu a taça que significava a conquista máxima do basquete mundial. Era a confirmação do titulo de Santiago. Era o nome do Brasil, representado pela sua melhor juventude, a ganhar as manchetes do mundo inteiro. Foi a vitória da raça e de um time em que, seus atletas, jogaram com entusiasmo, sacrifício, dotados de um espírito de luta fora do comum, de uma vontade férrea de vencer. E, no conjunto, o objetivo único era a vitória, o triunfo, que veio pleno de méritos e glórias. Primeiro foi Porto Rico. O Brasil venceu com dificuldades, mas venceu. Depois veio a Itália. Os brasileiros, superando todas as previsões, conduziram a contento e soube superar os italianos. E o nervosismo crescia e, a medida que os jogos tinham seqüência, as dificuldades eram maiores. Contra a Iugoslávia uma nova vitória confirmando a boa fase da seleção brasileira. A França foi o próximo adversário. Mesmo como favorito, o Brasil venceu com dificuldades. E chegou o grande dia. A União Soviética, invicta até então, tinha superado a equipe dos Estados Unidos. Quem vencesse o jogo daria um grande passo para conquistar o titulo. Apesar do bom time russo, o Brasil soube conduzir o jogo a seu favor. Venceu e deu uma demonstração do grande basquetebol que estávamos apresentando. Finalmente veio a grande noitada. O Brasil enfrentaria os Estados Unidos. Foi um jogo corrido e nervoso. As duas equipes jogavam bem e desejavam a vitória. Foi um jogo de emoção, entusiasmo e beleza para a grande torcida que lotou o maracanãzinho. E, no finalzinho, o Brasil conquistou a vitória. Coroando uma grande jornada. Um triunfo que valeu o bi campeonato mundial. No meio da grande festa, não se poderia deixar de descrever o papel que teve a torcida carioca, incentivando do começo ao fim a seleção brasileira. A torcida jogou junto com seus campeões: Amauri, Wlamir. Jathyr, Rosa Branca. Ubiratan. Succar. Mosquito. Waldemar. Menon e Fritz foram os doze heróis que eram comandados por Togo Renan Soares, o popular Kanela. Amauri foi o cestinha do IV campeonato mundial de basquete, além de ser considerado o melhor jogador da competição.”

Os resultados dos jogos do Brasil foram os seguintes:
16 de maio de 1963 – Brasil 62 x 55 Porto Rico
17 de maio de 1963 – Brasil 91 x 62 Itália
20 de maio de 1963 – Brasil 90 x 71 Iugoslávia
23 de maio de 1963 – Brasil 90 x 79 União Soviética
25 de maio de 1963 – Brasil 85 x 81 Estados Unidos

(Fonte: www.celticsbrasil.com.br)

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